“Nesta terra, em se plantando, tudo dá”. Foram essas palavras que o escrivão Pero Vaz de Caminha utilizou para definir ao rei de Portugal o que os navegadores encontraram nas Terras de Santa Cruz no ano de 1500.Quando os portugueses aqui chegaram encontraram os nossos índios nativos, com suas crenças, seus cultos aos ancestrais e à natureza. Já havia, fincada nas Terras de Santa Cruz, a raiz da Pajelança indígena sob a luz de Tupã, o Pai da Criação.
Os portugueses trouxeram em suas embarcações os padres missionários, os dogmas e a cultura do Cristianismo Católico, fazendo uma verdadeira catequese nos primeiros povos.
Logo depois chegaram os negros africanos, escravizados, forçados ao trabalho e ao sacrifício de abandonar suas terras e suas famílias. Eles trouxeram as forças e o axé da Mãe África através de seus orixás.
Proibidos de realizarem seus cultos, a única saída era disfarçar a devoção, comparando os orixás aos santos católicos. Surgiam assim os primeiros sinais do sincretismo religioso.
Com as invasões de outros povos europeus, o Brasil se via às voltas com o Cristianismo Protestante, recebendo também destes povos grande influência cultural e religiosa.
Na segunda metade do século XIX nos é apresentado o Kardecismo, graças à influência cultural francesa, preominante no país naquela época. E depois várias outras etnias foram se instalando na Terra de Santa Cruz. Vieram também os árabes, judeus, ciganos, japoneses, eslavos, todos sempre bem acolhidos por essa Pátria Mãe.
Mas como agregar tantas influências religiosas? Nosso Pai Maior percebeu que era necessário ter uma religião acolhedora, assim como o Brasil, que tivesse as raízes da formação do povo brasileiro como base. Agregando a pajelança indígena, do catolicismo e do kardecismo europeu e do candomblé africano surgiu então a religião genuinamente brasileira: Umbanda.
E foi justamente no dia 15 de Novembro de 1908, quando se comemorava o 19º aniversário da república, que a nossa religião foi fundada.
Coincidência?
Para os incrédulos, talvez.

A Umbanda chega ao centenário com a alma mais brasileira do que nunca. Ao viajar por diversos estados brasileiros, pude testemunhar que a essência da Umbanda não está perdida. A manifestação do espírito para a prática da caridade se faz em todos os terreiros que visitei.


Apenas o que posso dizer é que, assim como o nosso idioma sofre alterações de região para região, com sotaques e costumes diferentes, a Umbanda também se adapta às características culturais dos filhos de fé, estejam eles onde estiverem.
E é isso que torna a Umbanda uma religião viva no mais puro sentido.
A Seara Espiritualista Falangeiros da Aruanda, um “bebê” de menos de dois anos, se orgulha de fazer parte e de testemunhar esse momento tão importante da nossa Umbanda.Comemoremos irmãos de fé! Pois trazemos em nossa religião a alma pura de nosso povo que, apesar de tantas alegrias e tristezas passadas em mais de 500 anos de História e 119 de república nunca se deixou abater pelas
dificuldades, sempre fortalecidos pela fé.
É por isso que somos o Brasil, o coração do mundo e pátria do evangelho.
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